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O tabu da morte

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As sociedades tradicionais, fortemente marcadas pela predominância da vida comunitária, são sociedades relacionais, nas quais as pessoas encontram-se inseridas numa totalidade que lhes dá apoio, em que uma série de cerimônias e rituais cercam os acontecimentos do nascer, casar e morrer. Não se pense que seria fácil morrer, porém a morte era aceita de modo mais natural, como parte do cotidiano das pessoas. É interessante lembrar que ainda na primeira metade do século XX o moribundo permanecia em casa, sua agonia era acompanhada por parentes, amigos e vizinhos e ele tinha consciência de estar morrendo, porque nada lhe era ocultado. Após o desenlace, o morto era velado na própria casa, inclusive com a presença de crianças. O luto dos parentes próximos era indicado pela roupa: a viúva usava roupas pretas por um ano inteiro, e o viúvo, uma tarja preta no braço. Esses costumes mudaram a partir de meados do século XX, como resultado do processo de urbanização e de industrialização. A g...

O ecletismo da felicidade

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“Com o capitalismo de consumo, o hedonismo se impôs como um valor supremo e as satisfações mercantis, como o caminho privilegiado da felicidade. Enquanto a cultura da vida cotidiana se domina por esse sistema de referência, a menos que se enfrente um cataclismo ecológico ou econômico, a sociedade de hiperconsumo prosseguirá irresistivelmente em sua trajetória. Mas, se novas maneiras de avaliar os gozos materiais e os prazeres imediatos vierem à luz, se uma outra maneira de pensar a educação se impuser, a sociedade de hiperconsumo dará lugar a outro tipo de cultura. A mutação decorrente será produzida pela invenção de novos objetivos e sentidos, de novas perspectivas e prioridades na existência. Quando a felicidade for menos identificada à satisfação do maior número de necessidades e à renovação sem limite dos objetos e doa fazeres, o ciclo do hiperconsumo estará encerrado. Essa mudança sócio-histórica não implica nem renúncia ao bem-estar material, nem desaparecimento da organização m...

Memento Mori de Alberto Dürer, 1503

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Memento Mori é uma advertência para que não nos esquecemos da brevidade da vida.

Felicidade

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Como vemos, as pessoas associam felicidade nos momentos de consumo, longe do trabalho, com todo o conforto e praticidade que o dinheiro pode trazer: um carro, um iate, roupas de marca, ausência de sofrimento, um “nada fazer”... Por isso tantos esperam as férias, a aposentadoria ou ganhar o prêmio da loteria. Como excitação dessa felicidade fantasiosa, em algumas revistas os famosos mostram sorrisos, enquanto em outras é exposta com um pingo de piedade sobre relações que não estão indo bem, brigas, internações para tratamento de dependência química ou mais uma cirurgia plástica, na luta contra o envelhecimento (Infelizmente as pessoas gostam dessas coisas). Cresce o número de pessoas que passam por médicos com problemas de estresse e doenças. Há muitas pessoas depressivas, sem achar uma saída. As posses não nos tornam felizes, porque a riqueza nunca é um bem em si, mas um meio para nos propiciar outras coisas. O bem supremo é a felicidade, a realização com excelência (o melh...

O consumo

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Consumir é um ato humano por excelência, que nos permite atender a necessidades vitais, próprias da sobrevivência, como alimentar-se, vestir-se e ter onde morar. mas não só. O consumo abrange também tudo o que estimula o crescimento humano em suas múltiplas e imprevisíveis direções e como tal oferece condições para nos tornarmos melhores. Pelo consumo consciente participamos como pessoas inteiras, movidas pela sensibilidade, imaginação, inteligência e liberdade. Por exemplo, não comemos e bebemos apenas para saciar a fome ou a sede (se tivermos escolha), mas temos preferências que o paladar apura, e usamos da criatividade para inventar novos pratos e bebidas. Mesmo provocado externamente, o consumo supõe a possibilidade de escolha autônoma, não só para estabelecer preferências como para optar por adquirir ou não determinado produto. Nesse sentindo, o consumo nunca é um fim em si, mas sempre um meio para outra coisa qualquer. Caso contrário, ele se transforma em consumismo. As ...

Bloqueios de ideais

“Parece que enquanto o conhecimento técnico expande o horizonte da atividade e do pensamento humanos, a autonomia do homem enquanto indivíduo, a sua capacidade de opor resistência ao crescente mecanismos de manipulação das massas, o seu poder de imaginação e o seu juízo independente sofreram aparentemente uma redução. O avanço dos recursos técnicos de informação se acompanha de um processo de desumanização. Assim, o progresso ameaça anular o que se supões ser o seu próprio objetivo: a ideia do homem.” (Max Horkheimer, Eclipse da razão. Rio de Janeiro. Labor do Brasil, 1976, p.6.) Temos uma revolução grande na parte do domínio das máquinas, podemos visar um futuro próspero. Este texto me alertou que na época que vivemos temos muitas facilidades, e isso é muito bom, temos a possibilidade de viver melhor que nossos antepassados. Só que, devemos ter a responsabilidade de usufruir de forma consciente o que é apresentado. Nossas capacidades estão aos poucos sendo silenciosamen...

O oculto das palavras

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Ciúme: Do grego zelos, significa o medo de perder o afeto de alguém. Já o termo “zelo” é o cuidado que dedicamos a alguém por quem temos afeição.